Eu mudo para pior
Reparei uma mudança interna, uma virada de chave em mim meio maluca. Mudei de opinião, e isso me custa, então processo isso com ajuda das palavras. Já me vi achando desprezível o que vou dizer. Hoje eu saboreio ter mais essa perspectiva sobre o assunto. Me tento a adicionar um temperinho aqui. Uma informação apimentada, azedinha que torna a sensação gostosa.
Isso eu sempre vi as pessoas fazendo, mas uma parte ingênua minha, em vigília constante, a boa moça, não me deixava fazer. Era assim com quem agia por interesse. Os falsos — uso esse termo que é com base nele que saiu todas as caraminholas da minha cabeça.
Eu tinha esse jeito de condenar relações por interesse e os desdobramentos disso. Achava que era só negativo ser puxa-saco, falso. Achava que uma pessoa para ter esses traços de personalidade era muito fraca das ideia.
Me parece pequeno demais pensar assim. Não funciona bem do jeito que eu imaginava. As pessoas não fazem isso pelos outros. Não é para ter estima, serem aceitas — pelo menos não só. Vindo de alguém preparado, esse jogo pode ser bem mais construtivo.
Eu lia como carência ver pessoas nessa posição. Quando na verdade, pode ser o contrário.
Você já viu a cena: Calouros rodeando um veterano insuportável. Alguns te admitiram não gostar do sujeito. Então porque raios estar ali? Não fecharia essa equação.
O que você ta indo mesmo buscar? Do que você corre atrás?
Quem já fez esse caminho? Quem sabe o caminho das pedras?
Essa pessoa.
O metido a besta. O convencido. Ele.
Eu não queria que fosse ele, mas quer saber? Eu vou lá.
Sério mesmo, o que eu tava pensando?
Minha obrigação é com meus corres.
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Sabe, eu tenho tido menos tempo a perder.
Meus afetos são tudo. Fazem valer a pena. Sustentam a minha sanidade mental. Só que isso aqui não é o oásis dos relacionamentos. São papéis diferentes para diferentes pessoas. Quer dizer, você não vai encontrar em alguém todas as características importantes para você. Não conheci ainda, um sujeito que tenha todas as facetas; ótima companhias de rolê, ótima companhia para ficar em casa, com quem eu tenha afinidade cultural, que me ensine um ofício, me inicie numa carreira. Estão todos espalhados esses elementos. Se faz alquimia da vida, primeiro reunindo eles.
Para ter esse roll das relações, só não fugindo dos caprichos e incômodos. Vendo em retrospecto, me dei o privilégio um tanto esquizofrênico — pois na minha posição de não herdeira, sem saber nada que pudesse trocar por dinheiro, eu na verdade não tinha — de não me importar em nutrir relações benéficas em âmbitos da minha vida que não fossem o sentimental.
Aconteceu de serem pontual o relacionamento com os meus tutores. Pessoas chaves que me iniciaram nas representações que tenho de mundo. Não me convidaram a entrar, não esperam a minha estima. só pegue e leve o que veio buscar˜.
Rodando e rodando, leve e saia, pegue e saia.
Daquela quero o que me interessa. Ela sabe disso, as vezes é a função dela ali.
Mas cumpri as estações do caminho, paguei tudo que aprendi. —Paulo Mendes Campo, o amor acaba
E, assim, rompo com isso. Preciso das pessoas. Tenho interesse.
Disso me sinto também para provocada para olhar outras coisas:
Lidando com outros amaciava muito para mim. Não queria me misturar, tendo tantas fissuras, participando de mais conflitos internos, sabe-se lá o que minha personalidade poderia vir a tona.
O que eu não queria era me por em contradição, descobrir à revelia que o que me incomodava na outra pessoa era ela fazer como eu não faço as mesmas coisas, mas secretamente gostaria.
Para ser bem honesta essas pessoas me atraiam, mais do que eu conseguia lidar. Elas estavam mesmo era fazendo o que eu era travada demais para fazer. Porque sabia que esses limítrofes entre eu e outro sendo difusos, poderiam embasbacar minha estrutura de valores.
O lugar mais acolhedor que posso construir está no meu interior, ele não é uma pessoa. Aqui fora preciso agitar um pouco as coisas. O que elas faziam eram não ter vergonha de ser tudo o que eram; cretinas, fofoqueiras, mesquinhas, o que desse vontade, vinha à tona sem repreensão. Isso é de todos. Nos pertence, quer a gente exprima, quer não. Eu tenho das minhas feiúras, um comichão para libertá-las. Fique quem ficar conhecendo-as. Me urge descobrir a potencia delas.
Ver o regaço.
É tão orgânico, as coisas queimam, putrificam e mofam.
Isso não é o fim, é o início.
Eu no caminho, encobrindo o torro. Não soube o que se desfaria e o que permaneceria, contudo. É que de algum jeito, sei que restarão das ruínas, diamantes completamente resistentes. Fragmentos lapidados do que deve permanecer.
Vai ser bom te ver aí, amiga. Entre as reminiscências do meu fogo e dilúvio.
Eu me comprometo a arrumar um lugar para o que sinto nesse mundo, em que seja aceitável aparecer.
Cansa não botar as sujeiras para fora. Não levar minhas sombras comigo. Construir relações em que elas estão omissas.
Você não sai de nenhum jeito.
Oi Julie! Te respondi lá no teu comentário no meu blog, sobre curso de filosofia e afins, pois não achei outro meio de comunicação.
ResponderExcluirDepois se quiser conversar mais a gente arranja um jeito hehe