Como é isso de acertar?

Estive pensando sobre acerto. Como acertar o passo, o ponto da massa, o tom, o mal resolvido, a tentativa? Tem quem consiga sem experiência. Mira e atinge. 

Existem metas que sei menos como alcançar. Outras que não sei nada a respeito. Sondo tempo, tentativas, conhecimento e esforço. Para ao menos, tatear o percurso.


Assimilo passagens da vida como cenas de filmes, para construir linhas temporais mais longas, observar os acontecimentos em perspectiva, para ver se aparecem: causa e efeito. Me conto minha história, enquanto investigo padrões que apontem sentido para perguntas inquietas. Ao narrativizar a minha vida escrevo a história que quero ter. 


Na busca por claridade, encontrar significado é indício importante. Seguindo meu estilo o encontrei em lugares não-óbvios. Assistia a vídeos do canal Casa do Saber, psicólogos comentando mal-estares, me fez dar nome às coisas — o conhecido é menos temível. 

Na teoria há algum conduite para a práxis. Como os psicólogos estudam para lidar com gatilhos, absorvia seus saberes, para antecipar os golpes da depressão e ansiedade.


Quando é o caminho contrário: o erro é a única coisa certa, elaborar me mantém lúcida. Algo inventado, desde que convincente; me põe na rota. De repente o que tenho de mais estruturante está lá: valores postos à prova a todo momento, pavimentando o caminho. 

Das vezes em que não cedo a minha bússola, se esbarro com o desacerto —  um encontrão de proporções estrondosas —. Ando ainda mais para trás: Investigo, caço furos, falhas no vortex. Quando acaba o período assolado por não-saber. Fico satisfeita por me empenhar. Volto a merecer por mim e para mim, as alegrias de ganhar de vez em quando. 

Para meu Waze interno e receita sentimental: escrever ajuda. Livros ajudam muito. 


Chega o ponto de deixar os academicismos para os estudados. No aquário de concreto a coisa é mais embaixo: as regras são claras, mas o verdadeiro sistema regente é escorregadio. A lei praticada é turva:  testes, julgamentos; baseados em máscaras decifráveis por fissuras de caráter. É com a experiência que eu vejo se aprendo. Tête-à-tête. A suspeita: quem é meu amigo? aliado? companheiro — porque tão somente eles? "Assim dá." "Para ele eu vou confessar." "Não confio nela.”


A quantidade certa de ciência humana e ciência de rua que vai dar a cadência para balançar na vida. À rigor, não existe gurus, mesmo inspirações, funcionou para alguém não quer dizer que vai funcionar contigo. Você é único no mundo, o que significa que você está só para decidir. 


Admito que nas minhas andanças encontro não-respostas — nesse momento as memórias que compartilho entalam — o cruzamento do incerto com o desconhecido, é mesmo um beco muito sombrio. Alguns erros fazem um acerto.

A metodologia do erro é intuitiva, por mais que requeira habilidades: atenção, memória (de longo prazo) e autocrítica mínima. O mais importante é levantar-se rápido do chão. Um pé depois o outro... A equação é simples: se a primeira tentativa der errado, parta para a segunda. Se ela der errado para terceira… O número de falhas até a conquista é variável nunca dada. Fracassar é sempre uma possibilidade. A única caso não tente.



A Aline Valek em sua newsletter "Errar em looping" tece um paralelo sobre a construção da "jogada certa" entre humanos e robôs. Ela diz que as máquinas, diferente da gente, não sofrem, choram, desistem ou se desesperam quando algo dá errado. 

A máquina aprende com dados coletados adquirindo experiência no controle do tempo e das teclas de movimento. Ela descreve como acontece o aprendizado de um robô no jogo Super Mario:


Em outro vídeo, um programa de computador é colocado para aprender do zero a jogar Super Mario World. O algoritmo que joga esse Mario funciona com um modelo matemático que simula o processo de evolução biológica: a cada “vida” do Mario — a cada jogada — o computador responde de forma diferente aos obstáculos e inimigos dispostos no caminho, e consegue ir até determinado ponto da fase. 

Combinando as jogadas onde o Mario conseguia ir mais longe, o computador aprendeu a combinação e sequência de movimentos necessárias para avançar mais, até conseguir a jogada onde desvendou a melhor forma de completar a fase.

 

O mais importante, sobretudo, é se manter no jogo. Na arena. Não preciso ser primeira colocada não. Os primeiros colocados às vezes chegam sozinhos, vale a pena? Com constância, ritmo, andando na mesma direção uma hora se chega. 

O robô programado para jogar super mario aprende as formas certas pelas erradas. Andando suficientemente atenta, tenho chance. Quantas idas à esquerda e à direita me levaram ao mesmo buraco? Quantas tentativas você tem? Quanto tempo para arriscá-las?

O erro certo conduz à resposta.


Eu preciso errar direito.




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